quinta-feira, 23 de maio de 2013


Estudante da UFBA é encontrado morto em fonte de praça em Salvador
Jovem de 25 anos cursava Produção Cultural e iria se formar este ano. Polícia trabalha com hipótese de latrocínio, mas laudo deve apontar causa.




O estudante universitário Itamar Ferreira Souza, 25 anos, que cursava Produção Cultural na Universidade Federal da Bahia (UFBA), foi encontrado morto na manhã deste sábado (13), na praça do Campo Grande, centro de Salvador. De acordo com informações da polícia, o corpo do jovem estava submerso em uma fonte e ele tinha um ferimento no rosto. A polícia ainda investiga o que provocou a morte do jovem, mas a suspeita inicial é de que ele tenha sido vítima de latrocínio, roubo seguido de morte, porque objetos pessoais desapareceram.
"Todas as medidas para descobrir o que houve estão sendo adotadas. Os policiais estão na rua traçando uma linha do tempo e o percurso feito pela vítima na noite de ontem [sexta]. Estamos buscando pessoas que tiveram contato com ele. Foi realizada uma perícia e coletados objetos, que são pertences pessoais da vítima e também objetos que não têm relação com ele, mas que podem trazer informações sobre o ocorrido. Um laudo determinará qual foi a causa morte. Ele apresentava um ferimento na região frontal na cabeça, feito com um objeto contundente, como uma pedrada. E ele encontrava-se dentro d'água submerso. Pode ter vindo a óbito pela agressão ou por asfixia do afogamento", retala o delegado José Bezerra, diretor adjunto do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Segundo informações divulgadas pela Faculdade de Comunicação da UFBA, o enterro de Itamar será realizado no domingo (14), às 10h, no Cemitério Campo Santo, no bairro da Federação, em Salvador.
Investigação
De acordo com familiares, por volta das 22h da sexta-feira (12), Itamar entrou em contato com a mãe pelo celular, quando contou que estava em um bar no mesmo bairro juntamente com outros amigos.
O estudante levava uma mochila onde tinha um tablet, celular, câmera fotográfica e materiais de estudo. Apenas as apostilas foram encontradas pela polícia na manhã deste sábado. Por meio da assessoria, a Polícia Civil informou que uma equipe foi enviada ao local para iniciar as investigações, que devem ficar a cargo do DHPP.
O pai do jovem esteve no Campo Grande na manhã deste sábado e, mesmo abalado emocionalmente, comentou o que ocorreu com o filho. "A dor é demais. É uma dor que você não tem limite, acabou tudo. Dentro de você não existe nada. O meu filho, que tinha todo o futuro pela frente, e acabar desse jeito. Isso não tem justificação (sic.) não. Esses caras aí marginal (sic.), que não quer trabalhar, não quer nada, só quer roubar e fumar o bagulho deles aí. Aí pega uma pessoa de bem dessa, que é o futuro do Brasil, e destrói", diz emocionado Manoel Souza, pai do estudante.
Segundo informações de familiares que acompanharam a remoção do corpo no local, Itamar Ferreiza Souza iria se formar no final do ano, na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Ele cursava Produção Cultural e recentemente passou um mês nos Estados Unidos, onde fez um curso de inglês.
Faculdade lamenta
A Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia emitiu nota oficial na tarde deste sábado lamentando o ocorrido com o estudante. O documento é assinado por Giovandro Marcus Ferreira, diretor da Faculdade. Confira na íntegra:
"Lamentamos, profundamente, o assassinato do nosso aluno Itamar Ferreira Souza, na madrugada desta última sexta-feira, encontrado com vários sinais de agressão pelo seu corpo, na Praça do Campo Grande.  Em conversa com seus familiares, nos solidarizamos e nos colocamos à disposição neste momento de dor e perda. Eles nos informaram que o enterro será, amanhã, domingo, às 10 horas, no  Cemitério do Campo Santo.

A Faculdade de Comunicação e a Administração Central da UFBA, em especial, a Pró-Reitoria de Assistência Estudantil, estão acompanhando o desenrolar das informações sobre este assassinato e já exigem uma apuração rigorosa do fato seja ele por motivação sexual ou qualquer outra razão que levou à ruptura de vida do jovem e aluno da Faculdade Comunicação da UFBA, Itamar Ferreira Souza".
Grupo faz protesto na praça em que estudante da UFBA foi assassinado
Movimento ocorreu na tarde desta quinta-feira, no bairro do Campo Grande.
Participaram familiares, amigos e militantes do Grupo Gay da Bahia (GGB).


Familiares, amigos e militantes do Grupo Gay da Bahia (GGB) fizeram uma manifestação na Praça do Campo Grande, em Salvador, na tarde desta quinta-feira (18). Eles cobraram "justiça" para a morte do estudante Itamar Ferreira Souza, que cursava Produção Cultural na Universidade Federal da Bahia (UFBA). O jovem foi encontrado morto na manhã de sábado (13) com ferimento no rosto, submerso em fonte decorativa na mesma praça onde foi feito o protesto.
As pessoas seguravam faixas, rezaram e clamaram por justiça e paz. Fitas brancas, vermelhas e pretas foram amarradas em árvores que ficam em torno do lago onde o corpo do estudante foi encontrado.
Segundo o presidente do GGB, Marcelo Cerqueira, responsável pela organização do ato, as fitas brancas representam paz, a preta o luto e a vermelha o sangue que foi derramado.
Para ele, mesmo que a homofobia não tenha sido o foco principal da ação, o fato de Itamar ser homossexual foi um dos fatores que motivou a agressão. Na avaliação de Marcelo Cerqueira, todos os crimes que acontecem contra homossexuais são, de fato, homofóbicos.
A ativista Vida Bruno, do Fórum Social Mundial da Bahia, também acredita que o crime foi ligado à homofobia. Segundo ela, moradores de rua que presenciaram a ação disseram que, quando Itamar estava sendo espancado, os suspeitos, sobretudo, a mulher, gritavam: “morre viado”.
Carla Ferreira, irmã da vítima, espera que a os suspeitos do crime continuem presos. Ela garante que o irmão não tem perfil de se relacionar com o tipo das pessoas suspeitas de cometer o crime, e não acredita nessa versão passada pela polícia. Segundo ela, Itamar era um rapaz cheio de alegria, inteligente, engajado e que nunca escondeu namorado da família.
Segundo Carla Ferreira, o amigo de Itamar, Edmilson dos Santos de Oliveira, que estava com ele no momento do crime, também foi agredido e permanece internado, reiterou à família que não conhecia os suspeitos do crime, ao contrário do que foi divulgado pela polícia.
Na versão de Edmilson, conta Carla, ele e Itamar bebiam em um bar e, na hora de irem embora, passaram pela Praça do Campo Grande, quando foram atacados pelas costas, sem chance de defesa. "Os bandidos pareciam animais, batendo com bastante violência e enfiando as mãos nos bolsos para levarem o que achavam”, teria dito Edmilson a uma das irmãs de Itamar. De acordo com o Hospital Geral do Estado (HGE), a vítima continua internada, no setor de Ortotrauma da unidade.
Suspeitos
Scarleth Lira Maia Gomes, que é ex-carateca e ex-jogadora de basquete profissional, Ricardo Hohlennerger Santos, de 25 anos, conhecido como "Lerdinho" e o adolescente de 17 anos são os suspeitos já presos. A procura da polícia é pelo último foragido, apelidado de "Índio".
A polícia informou que Scarleth foi responsável pelos golpes contra Itamar e Edmilson, que, desacordados, foram lançados em uma fonte da praça. Ela já morou na Bolívia e na Guiana atuando como jogadora de basquete.

Fonte


COMENTÁRIO


         Com leis taxativas, quanto a crimes de preconceitos e que não englobam ainda a homofobia, tudo que temos são doutrinas, analogias, jurisprudências e nenhuma segurança legal quanto a punição dos homofóbicos.

         Assim a homofobia, crime de ódio que é violência direcionada a um determinado grupo social com características específicas, ou seja o agressor escolhe suas vítimas de acordo com seus preconceitos e de acordo com estes, coloca-se de maneira hostil contra um particular de ser e agir típicos de um conjunto de pessoas.
        
         Mas não se encontra elencado como crime de ódio na legislação brasileira, portanto tratado com bastante descaso.
         
        Diante do exposto, através de reportagens e estatísticas, verifica-se que os homossexuais, enfrentam vários preconceitos que estão ai  na sociedade, estes preconceitos não estão morrendo, apenas encontrando novas formas de se mascarar.
        
         Nosso Código Penal, atualmente defasadíssimo, pois é oriundo de 1940, portanto, está mais do que na hora de se rever todo o seu conteúdo, englobando-se também revisão dos  crimes e suas respectivas penas, contra mulheres, animais, mudanças no ECA- Estatuto da Criança e Adolescente nos crimes contra  homossexuais etc. Pois nem a sociedade de 1940 nem a conduta humana e suas relações intersubjetivas daquela época se comparam com os dias atuais.

            Desta forma, nossa mudança na lei atual vigente é imprescindível, para que  nossa legislação possa caminhar lado a lado, passo a passo com a evolução dos costumes e dos comportamentos da sociedade brasileira.  

Estudo Sócio Antropológicos
Ana Patricia Barreto


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